sábado, 25 de maio de 2013

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Ano III Carta 17      
 Por:Kim Nataraja

     Posto que John Main e Laurence Freeman são monges beneditinos é perfeitamente compreensível que seus ensinamentos tenham sido influenciados pela forma de vida preconizada pela Regra de São Bento. Entre os três votos beneditinos, que formam também o contexto de formação de um Oblato – Obediência, Conversão e Estabilidade - é aobediência que causa por vezes as dificuldades iniciais.  Uma característica de nossa civilização ocidental, principalmente desde as duas Guerras Mundiais, é que desconfiamos da autoridade e consequentemente da obediência. 
     As autoridades têm deixado muito a desejar e, portanto, somos receosos em obedecer àqueles que detém a autoridade, quer seja a Igreja ou o Estado.  Mas diz S.Bento no Capítulo 71 de sua Regra: “Não só ao Abade deve ser tributado por todos o bem da obediência, mas, da mesma forma, obedeçam também os irmãos uns aos outros; sabendo que por este caminho da obediência irão a Deus”.

     Quando lemos este capítulo da Regra frequentemente o lemos sem atenção.  Mas se assim o fazemos, deixamos de perceber uma questão importante.  Já no Prólogo da Regra São Bento começa por enfatizar a obediência, que ali é traduzido do Latim em seu sentido original, a saber “ouvir”: “Escuta, filho, os preceitos do mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência.

     É a obediência, no sentido de ouvir de verdade com o ouvido do seu coração, que muda todo o impacto deste ensinamento.  Ouvir de verdade,não apenas à abadessa ou ao prior, mas também uns aos outros é o fundamento da comunidade.  Por causa disso, ouvirmos de verdade uns aos outros é um dom precioso que podemos oferecer uns aos outros.  Como Simone Weil nos lembra, “Aqueles que são infelizes não têm necessidade de nada neste mundo a não ser de pessoas capazes de dar-lhes sua atenção.” Somos os guardiões de nossos irmãos e irmãs.

     Quando ouvimos de verdade fazemos a conexão – como vimos na semana passada – de essência para essência , honramos uns aos outros; quando ouvimos de verdade os ensinamentos honramos os professores.  A meditação é também uma forma de obediência, de ouvir de verdade com o ouvido do coração à voz interior – o Espírito – no centro de nosso ser, onde habita Cristo; e assim fazendo somos conduzidos ao mistério de Deus cujo significado São Paulo revela como: “Cristo em vós, a esperança da glória por vir”. 
     Esta é também a mensagem central de John Main no seu livro “A Palavra que Leva ao Silêncio”:  “O mistério para o qual a meditação nos leva é um mistério pessoal, o mistério de nós mesmos, que se completa na pessoa de Cristo.” É essencialmente isso que dá à nossa meditação o tom exclusivamente cristão.

     Mas isso não é o fim – somos levados a mergulhar com maior profundidade no mistério de Deus “Em Cristo residem ocultos todos os tesouros de Deus de sabedoria e conhecimento”.  O resultado deste mergulho no mistério de Deus é a inteireza do ser.  Nosso centro se desloca do ego para o nosso centro verdadeiro, o eu, o centro do nosso ser total, consciente ou inconsciente.

     Nossa integralidade, portanto, não depende da obediência cega à autoridade e à sua necessidade de controle, não depende de seguirmos passivamente às regras ou regulamentos superficiais, mas depende de fato de ouvirmos profundamente tanto à voz da autoridade natural como à essência moral das regras e regulamentos.


 Fonte:Escola Internacional
Comunidade Mundial para a Meditação Cristã

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